segunda-feira, 11 de maio de 2009

O problema da fundamentação ética.

O senso moral e a consciência moral referem-se a valores (justiça, honradez, integridade, espírito de sacrifício...), a sentimentos provocados pelos valores (admiração, vergonha, culpa, medo, amor...) e a decisões que conduzem a ações com conseqüências para nós e para os outros. Dizem respeito às relações que mantemos com os outros e, portanto, nascem e existem como parte integrante de nossa vida intersubjetiva.
Senso moral e consciência moral são inseparáveis da vida cultural. A cultura nasce da maneira como os seres humanos interpretam a si mesmos e as suas relações com a natureza, acrescentando-lhe sentidos novos, intervindo nela, alterando-a através do trabalho e da técnica, dando-lhe valores.
Constantemente estamos emitindo julgamentos, estamos fazendo juízos sobre a realidade que nos cerca. Estes juízos podem ser: juízos de fato e juízos de valor.
Juízos de fato são aqueles que dizem o que as coisas são, como são e por que são, referem-se ao objeto tal qual ele é. Os juízos de valor são avaliações que fazemos sobre as coisas, pessoas, ações, situações e acontecimentos, são proferidos na moral, nas artes, na política e na religião.
Os juízos éticos de valor são normativos, isto é, enunciam normas que determinam o dever ser de nossos sentimentos, nossos atos, nossos comportamentos; enunciam obrigação e avaliam intenções e ações segundo o critério do correto e do incorreto.
O campo ético é constituído pelos valores e pelas obrigações que formam o conteúdo das condutas morais, isto é, ele é constituído por dois pólos internamente relacionados: o sujeito moral e os valores morais ou virtudes éticas que fundamentam a instituição de normas morais.
Estas são realizadas pelo sujeito moral, principal constituinte da existência moral.
O sujeito ético ou moral, isto é, a pessoa, só pode existir se preencher as seguintes condições:
a) Ser consciente de si e dos outros, isto é, ser capaz de refletir e de reconhecer a existência dos outros como sujeitos éticos iguais a si;
b) Ser dotado de vontade, isto é, capacidade para controlar e orientar desejos, impulsos, tendências, sentimentos e para deliberar e decidir entre várias alternativas possíveis;
c) Ser responsável, isto é, reconhecer-se como autor da ação, avaliar os efeitos e conseqüências dela sobre si e sobre os outros, assumi-las, bem como às conseqüências, respondendo por elas;
d) Ser livre, isto é, ser capaz de oferecer-se como causa interna de seus sentimentos, atitude e ações, por não estar submetido a poderes externos que o forcem e o constranjam a sentir, a querer e a fazer alguma coisa. A liberdade não é tanto o poder para escolher entre os vários possíveis, mas o poder para autodeterminação, dando a si mesmo as regras de conduta.

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