segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Indústria Cultural.

O termo Indústria Cultural foi desenvolvido por Theodor Adorno e Max Horheimer na obra intitulada “Dialética do Esclarecimento” para indicar a cultura baseada na idéia e na prática de consumo de “produtos culturais” fabricados em série. Assim, a expressão significa que as obras de arte são mercadorias, como todas as demais existentes no capitalismo.
A democratização da cultura: ao contrário do que poderia parecer, o que passou pela compreensão de Walter Benjamim, a reprodução em massa da obra de arte não promoveu a sua democratização. Perdida a sua aura ela se massificou para o consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa, transformando-se em um entretenimento e diversão para as horas de lazer, que na sociedade capitalista encontra-se alienado.
A perda da aura: sob o comando dos industriais, as obras de arte verdadeiramente críticas, criadoras e radicais ficam esvaziadas e se tornam, como já dito, meros entretenimento, passam a ser produzidas para celebrar o existente, em lugar de compreendê-lo, criticá-lo e propor intervenções construtoras de um futuro para a humanidade.
Perda da força simbólica e da algumas características:

a) De expressivas tendem a tornarem-se reprodutivas e repetitivas;
b) De trabalho de criação, tendem a tornarem-se eventos para o consumo;
c) De experimentação e de invenção do novo, tendem a tornar-se consagração do consagrado para o consumo;
d) De duradouras, tendem a tornarem-se efêmeras e descartáveis, sem passado e sem futuro;
e) De formas de conhecimento que desvendam a realidade e alcançam a verdade, tendem a tornar-se dissimulação da realidade, ilusão falsificadora, publicidade e propaganda.

A indústria cultural não atinge apenas as obras de arte, mas também as obras do pensamento fazendo-as perder a sua força crítica, inovadora e criadora. Utilizando-se de recortes da produção cientifica e filosófica, deforma as informações e, em lugar de difusão cultural, passa a estabelecer mera divulgação de informações. As obras do pensamento deixam de ser instigadoras de conhecimento para ficarem reduzidas à divulgação rápida e simples de idéias cuja complexidade e importância ficam perdidas.
Não há democratização da arte e do pensamento essencialmente por que:

a) Separa os bens culturais por seu valor de mercado. Distinguindo-os em obras caras ou baratas, introduz e reforça a divisão social entre elite “culta” e massa “inculta”;
b) Cria a ilusão de acesso livre de todos aos bens culturais, mas efetivamente o que ocorre é um controle do que vai ser consumido e por quem o será;
c) Inventa um contemplador “médio”, um espectador “médio” aos quais são atribuídas capacidades mentais e gostos “médios”, e aos quais são oferecidos produtos “médios”. Isto significa que a indústria cultural, para vender os seus produtos, não pode ultrapassar aquilo que o consumidor-espectador já não possui, isto é, uma visão senso comum que lhe é reapresentada sob uma nova roupagem;
d) Porque a cultura como lazer é entretenimento, diversão e distração, de modo que tudo o que fizer referência ao pensamento nas obras de arte e pensamento e que signifique trabalho da sensibilidade e da inteligência, não “vende”. Assim, massificar é banalizar a expressão artística e cultural em forma vulgarizada.
José Rogério de Pinho Andrade

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