segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Os meninos-lobos.






Meu colega de profissão com nome de rei lendário, trabalhou (e ainda o está fazendo) com os seus alunos de produção textual na 3ª série do ensino médio o texto de Cláudio de Moura Castro com título homônimo e inspirador para esta postagem que foi publicado na revista Veja em 8 de julho de 2009.
O comentado texto trata da relação entre linguagem e pensamento e o faz apartir de uma referência ao conto do menino-lobo Mogli escrito por Rudyard Kliping Mogli e tão bem representado nos desenhos de Walt Disney. Nele o autor lembra que cientificamente o conto é absurdo, pois seria impossível um desenvolvimento de um pensamento abstrato e simbólico sem o conhecimento e domínio das palavras. Assim, Mogli (o menino-lobo) não seria capaz de pensar.
Fazendo uso de suporte argumentativo da ciência e da filosofia, o autor apresenta a hipótese de "a nossa capacidade de usar palavras tem muito a ver com a nossa capacidade de pensar. Dito de outra forma, pensar bem é o resultado de saber lidar com as palavras e com a sintaxe que conecta uma a outra."
Por fim, ele ressalta que o nivel educacional do brasileiro revela um analfabetismo funcional em pelo menos 50% dos alunos com nível escolar da 4ª série do ensino fundamental. No ensino médio encontramos um atraso linguistico do brasileiro em quatro anos comparado com o europeu. Conclui pela necessidade de que o "nosso processo educativo deve se preocupar centralmente com as falhas na capacidade de compreensão e expressão verbal dos alunos."
O autor encerra o texto enfatizando a necessidade de que por meios dos diversos ramos do conhecimento, "o aprendizado mais importante se dá no manejo da língua. É ler com fluência e entender o que está escrito. É expressar-se por escrito com comprecisão e elegância. É transitar na relação rigorosa entre palavras e significados. [...] Nossa juventude estará mal preparada para a sociedade civilizada se insistirmos em uma educação que produz competência linguística pouco melhor do que a de meninos-lobo."
De tudo quero parabenizar meu colega professor com nome de rei lendário que escolhe tão bem os textos que utiliza na construção do conhecimento com os seus alunos. A sua metodologia fornece material para a construção de um saber crítico e reflexivo justamente porque seleciona o que há de melhor em formação de opinião de mundo. Por fim, quero concordar com o nobre Cláudio de Moura e Castro no que diz em seu texto e acrescentar que somente por meio de aquisição de domínio linguístico é possível resignificarmos o que comunente se chama de realidade e compreendermos que ela (a realidade) não existe sem a intervenção simbólica do sujeito.

Rogério Andrade

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