quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"Os chefões estão entre nós."


Em título "homônimo" a revista Época de nº 595 (11/10/09) pergunta: "Viramos refúgio de criminosos?"

Em resposta o diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal diz que a prisão dos traficantes internacionais Abadia e Ordoñez aqui no Brasil "(...) mostram que os líderes do tráfico colombiano consideram o Brasil um refúgio atraente."

A revista aponta algumas razões para explicar a preferência dos "colombianos" (no caso em questão, aqueles que traficam drogas) pelas terras tupiniquins:

1. As condições geográficas e de infraestrutura, isto é, nossas fronteiras são muito extensas e são limítrofes com vários países (dez ao todo); em termos de infraestrutura rodoviária, portuária e aeroportuária, bem como, nossa rede de comunicações e de serviços bancários , a revista afirma que temos uma das melhores da América o Sul, mas tudo também usado pelo tráfico de drogas. Tal situação favorece o anonimato por cá, principalmente pela razão de nossas autoridades desconhecerem os traficantes de outros países.

Me pergunto, com uma rede de comunicações considarada tão boa, cadê a eficiência para estabelecer contatos com os serviços policiais dos outros países? Que infraestrutura é esta que não permite identificar, ou quando o faz demora muito, quem a usa para fins ilícitos? Cadê nossas autoridades fiscais e fazendárias para investigar riquezas que surgem da noite para o dia, a torto e a direito?

2 - Uma segunda razão para explicar a preferência pelo Brasil dos traficantes colombianos (talvez não seja uma preferência apenas deles?), está no desenvolvimento de nosso mercado financeito, pois que, "a movimentação de milhões de dólares ou reais chama menos atenção aqui que num país como a Colômbia". A lavanderia e esconderijo do "dinheiro sujo"do tráfico oferecem melhores condições de funcionar aqui do que por lá.

A revista e o texto em comento, destacam a qualidade da investigação financeira que resultou nas prisões dos já citados narco-meliantes.

O que me questiono é será necessário para um eifcaz combate ao narcotráfico, propor a diminuição de nosso gigante esplêndido? Se nossa infraestrutura é tão boa, que tal utilizá-la no combate eficaz ao narcotráfico? Não seria mais fácil estabelecer uma comunicação com as polícias de outros países sobre os traficantes de cada país, visto possuirmos uma rede de comunicações tão boa? O nosso sistema financeiro - (e aí ouso dizer porque não o dos outros países?) - poderia se comprometer com mais rigorosas investigações sobre as fortunas existentes em cada nação, acompanhando o seu desenvolvimento e procurando saber de sua origem, pois até que ponto os grandes investimentos, principalmente os voltados para a especulação financeira, não estão comprometidos com o narco-comércio?

Sem respostas, não as tenho, mas creio que a pergunta pode ser mais importante do que a resposta em muitas situações. Esta talvez seja uma elas. Se o Brasil é um refúgio atraente de criminosos, isto não se dá por nossa geografia exuberante; aposto muito mais na (in)competência política que marca a nossa história!

Rogério Andrade

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