sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Como a picaretagem conquistou o mundo, equívocos da modernidade.

Não sou de fazer divulgação de livros, nem muito menos ganho financeiramente alguma coisa, mas faço a divulgação deste livro porque achei-o extremamente empolgante.
É com o título desta postagem que o jornalista e escritor Francis Whenn denuncia em seu livro como a "vitória" daquilo que se convencionou chamar de modelo liberal de sociedade, de sociedade moderna (ou para alguns pós-moderna) se deu por meio da aceitação acrítica de alguns de seus discursos e como isto representou um retrocesso para o desenvolvimento de um pensar racional, crítico e reflexivo. Ao mesmo tempo, ele denuncia o paradoxo desta sociedade que nasce na perspectiva de superação do sono da razão, mas adormece no mesmo sono.
Para ele, as duas últimas décadas (li a 2ª edição de 2007, a primeira é de 2004) tem produzido monstros em decorrência do sono da razão. O Iluminismo em seus dois significados subjacentes, a saber, a descoberta da verdade e sua difusão subsequente, ficou no esquecimento, não se concretizou. Pelo contrário, ele aponta as diversas "picaretagens" desta sociedade que vão, do senso comum e da obviedade dos livros de autoajuda, passando pelas contradições dos governos que inauguraram o pensamento neoliberal. Fala ainda dos diversos discursos escatológicos sobre o fim do mundo que reproduzem o pensamento mítico-medieval (ou pré-histórico, sei lá!) que leva as pessoas a acreditarem que o alinhamento de planetas é indício de que o fim do mundo está próximo. Revela como o mundo que nasceu dos sonhos auspiciosos de libertação por meio da razão se deixou enganar pela força do misticismo.
Por meio de uma linguagem clara e envolvente, o autor nos envolve numa compreensão mais aguçada de alguns dos aspectos falaciosos de nosso tempo. Vale a pena ler!
Apenas um trecho quando ele se refere àquilo que se convencionou chamar de pós-modernismo, mesmo sem se saber o que isto significa direito:
"É este o legado debilitado do pós-modernismo: a paralisia da razão, a recusa a observar qualquer diferença qualitativa entre hipóteses racionais e disparates confusos."

Nenhum comentário:

Postar um comentário