domingo, 24 de março de 2013

Verdade e Teorias da Verdade


Verdade e Teorias da Verdade
José Rogério de Pinho Andrade

Ü  Quando falamos de teoria da verdade tratamos de esclarecer cinco temas:
a)     O conceito de verdade;
b)    A relação de compreensão do uso comum do conceito de verdade com o uso do conceito na ciência e na filosofia;
c)     Os critérios da verdade;
d)    Os pressupostos do conceito de verdade;
e)     A relevância do problema da verdade.
Ü  “O conceito de verdade na experiência cotidiana é que um enunciado é verdadeiro, quando corresponde aos fatos.” (p.129)
Ü  O problema filosófico é saber se conhecemos a verdade.
Ü  Verdade e certeza não são sinônimos. Então o que significa a verdade?
Ü  Para Leibniz “as verdades de fato são proposições verdadeiras para todos em toda a parte e em todos os mundos.” Elas constituem as estruturas formais dentro das quais devem realizar-se. (p. 129)
Ü  Na filosofia de Sócrates, Platão e dos clássicos indagava-se pela essência da verdade.
Ü  A filosofia analítica restringe-se ao conceito de verdade e sua significação dentro da linguagem.
Ü  Quanto aos critérios de verdade eles existem? Onde se encontra a medida da verdade, no sujeito ou no  objeto?
Ü  No empirismo lógico do século XX defendeu-se, em princípio, a verificabilidade como o critério de verdade.
Ü  Na história da filosofia, citam-se como critérios de verdade, ora a evidência, ora a práxis, ora o consenso.
Ü  Outra questão é a das condições de verdade, como verdade e história: antiguidade tenta-se compreender a história como universal e absoluta, pois fundada em uma realidade ideal. Na modernidade a história entende que nada é eterno e imutável.

1.     Teoria da adequação ou correspondência

ü  “O critério de verdade dessa teoria é o de adequação ou conformidade do pensamento ou da proposição com a realidade.” (p. 130)
ü  “Verdade não diz apenas acordo interno do espírito consigo mesmo ou com as representações por ele elaboradas, mas conformidade do juízo com uma realidade transcendente à consciência. O fundamento da verdade do juízo é o ser, a existência real e efetiva.” (p.130)
ü  “Nessa teoria reconhece-se a preferência ao aspecto objetivo em relação ao subjetivo. Pressupõe-se que os objetos existam em si. Para conhecer, o sujeito deve submeter-se aos dados. O sujeito é determinado pelo objeto.” (p. 131)
ü  Esta teoria se fundamenta nas idéias de são Tomás de Aquino (1225 – 1274) para quem “a verdade de uma proposição é garantida pela correspondência entre o juízo do intelecto e a realidade intencionada.’ (p.131)
ü  Para ele, “as coisas e não o intelecto, são a medida da verdade.” (p.131)
ü  Platão já definia que “verdadeiro é o discurso que diz como as coisas são; falso é aquele que as diz como não são.” (p.131)
ü  “Segundo Aristóteles, a verdade está no pensamento ou na linguagem, não no ser ou na coisa (Met. VI, 4). A medida da verdade é o ser ou a coisa, não o pensamento ou o discurso.” (p.131)
ü  Alfred Tarski (1902 – 1983) designa esta teoria como “a concepção semântica da verdade” e vê “o critério da verdade numa relação entre a realidade, de um lado, e  o conhecimento, do outro.” (p.132)
ü  O homem chega ao conhecimento de duas maneiras:
a)     O conhecimento da realidade é intuitivo e, portanto, indizível e inexplicável;
b)    O conhecimento postulado consiste em formar uma proposição sobre a realidade.
ü  Para Habermas “a verdade pertence à dimensão do discurso e se verifica mediante argumentações sucedidas.” (p.133)

2.     Teoria da coerência.

ü  “A verdade de um juízo ou proposição consiste na coerência desse juízo ou proposição com o sistema em que se insere. (...) se uma proposição é verdadeira ou falsa, depende da coerência como se relaciona com outras proposições da mesma teoria.” (p.134)
ü  Pode ainda ser formulada de modo subjetivo quando estabelece que: “uma crença é verdadeira quando é coerente com minhas demais convicções.” (p.134)

3.     Teoria do Consenso

ü  Formulada por Jürgen Habermas baseia-se “na experiência de que o conhecimento de uma pessoa depende de outras pessoas que também conhecem.” (p.135)
ü  “A verdade não é uma simples propriedade de proposições. Com ela vinculamos determinada reivindicação  em relação a outros. (...) uma proposição é verdadeira quando um discurso sobre ela conduz a um consenso fundamentado.” (p.135)
ü  Tal teoria tem limitações: primeiro é que ela iguala verdade e validade; em segundo lugar é o critério do consenso discursivo. “A concordância intersubjetiva de todos os parceiros parece ser definida exclusivamente em proposições lógicas.” (p.135)
ü  “O consenso não pode ser o último critério de verdade ou de falsidade, sem recurso à experiência e á evidencia e sem referencia ao objeto.” (p. 136)
ü  Pode-se formular a teoria do consenso da seguinte forma: “uma crença é verdadeira quando a minha comunidade intelectual concorda que este é o caso.” (p.136)

4.     Teoria pragmática

ü  Para o pragmatismo, verdadeiro é aquilo que “é considerado útil, o que é bom para a nossa vida. Identifica-se verdade com utilidade, vantagem ou oportunidade.” (p. 136)
ü  “A idéia fundamental do pragmatismo é que a essência dos objetos e das pessoas se expressa em seu comportamento e em suas ações, sendo determinada a partir dos efeitos.” (p.136)
ü  Uma objeção se apresenta quando se pergunta: a) o que é bom, b) quais são os efeitos dessa ou daquela crença.

Ü  “Cada uma dessas teorias mostra-se insuficiente. Cada qual mostra aspectos importantes, mas parciais.” (p.137)
Ü  “A verdade constitui uma relação multidimensional entre proposição e realidade (teoria da adequação), com outras proposições (teoria da coerência) e a comunidade dos cognoscentes (teoria do consenso).” (p.138)

Fonte: ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento e Teoria da Ciência. São Paulo: Paulus, 2005.

2 comentários:

  1. Há outras teorias. Nomeadamente: a teoria da 'Verdade como redundância'.

    ResponderExcluir
  2. bom resumo Prof. foi me muito util esta informacao, meu email eh tou cursando a teoria de conhecimento...lopinhoforever@gmail.com

    ResponderExcluir