sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Thomas Hobbes - Excertos

"Cabe ao homem sensato só acreditar naquilo que a reta razão lhe apontar como crivel. Se desaparecesse este temor supersticioso dos espíritos, e com ele os prognósticos tirados dos sonhos, as falsas profecias, e muitas outras coisas dele dependentes, graças às quais pessoas ambiciosas e astutas abusam da credibilidade da gente simples, os homens estariam muito mais preparados do que agora para a obediência civil". 
(p. 22-23)


"É  portanto evidente que tudo aquilo em que acreditemos, baseados em nenhuma outra razão senão tão-só a autoridade dos homens e dos seus escritos, quer eles tenham ou não sido enviados por Deus, a nossa fé será apenas fé nos homens". (p. 61)
Os homens "Quando aprovam uma opinião particular chamam-lhe opinião, e quando não gostam dela chamam-lhe heresia; contudo, heresia significa simplesmente uma opinião particular, apenas com mais algumas tintas de cólera". (p. 89)

"Desta guerra de todos os homens contra todos os homens também isto é consequência: que nada pode ser injusto. As noções de certo e de errado, de justiça e de injustiça, não podem aí ter lugar. Onde não há poder comum não há lei, e onde não há lei não injustiça. [...] A justiça e a injustiça não fazem parte das faculdades do corpo ou do espírito. [...] São qualidades que pertencem aos homens em sociedade, não na solidão". (p. 111)

Fonte: 
HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2014. 
Biblioteca particular.

PS: A ser atualizado
Em princípio, um blog deve servir para atualização de informações, ideias ou mesmo apenas como um exercício de desabafo virtual, um diário de registro de experiências cotidianas. A atualização dos posts, pelo menos teoricamente, deve ser breve e rotineira. 
Tenho falhado com o meu, mas penso em retomar o compartilhar ideias, minhas ou descaradamente apropriadas dos outros (com os devidos créditos).
Enfim, estou cá tentando atualizar o meu blog.

domingo, 16 de março de 2014

Infância Antigamente Moderna

A infância será sempre uma época em nossas vidas marcada pela magia, pela amizade inconsciente e sincera, pureza, solidariedade e afetos, com tablet ou não.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Tratado sobre a tolerância (recortes) - Voltaire

"Sabe-se demais quais foram os custos desde que os cristãos começaram a  disputar por dogmas: correu sangue, seja nos cadafalsos, seja nas batalhas, desde o século quatorze até os dias de hoje." (p. 23)

"A filosofia, unicamente a filosofia, irmã da religião,  desarmou as mãos que a superstição havia ensaguentado por tanto tempo; e o espírito humano, ao despertar de sua embriaguez, assombrou-se ante os excessos a que o havia lançado o fanatismo". (p. 30)

"Quando não se busca magoar os corações,  todos os corações estão a nosso favor". (p. 30)

"O melhor método de diminuir o número de maníacos,  se é que existe, é o de deixar essa doença do espírito sob o controle da razão,  que esclarece aos homens lentamente, mas de maneira infalível". (p. 36)

"O direito da intolerância é,  portanto, absurdo e bárbaro,  é o direito dos tigres, sendo bem mais horrível também, porque os tigres dilaceram suas presas para comer, enquanto nós nos exterminamos por causa de alguns parágrafos". (p. 39)

"'Deorum offensae diis curae' (somente os deuses devem ocupar-se das ofensas feitas aos deuses)". (p. 43)

"Eu afirmo cheio de horror, mas com veracidade: somos nós,  os cristãos,  somos nós os perseguidores, os carrascos e os assassinos! De quem? De nossos irmãos". (p. 60)

"Quanto mais a religião cristã é divina, tanto menos pertence ao homem dirigi-la: se foi Deus que a fez, Deus a sustentará sem a nossa ajuda. Você sabe que a intolerância apenas produz hipócritas ou rebeldes: que alternativa funesta!" (p. 63)

"A Escritura nos ensina, portanto, que Deus não só tolerava todos os outros povos, mas que também lhes demonstrava cuidados paternais. E nós ousamos ser intolerantes!" (p. 75)

"Agora eu indago: é a tolerância ou a intolerância que provém do direito divino? Se quereis vos assemelhar a Jesus Cristo, sede mártires, e não carrascos". (p. 86)

"Um ateu polêmico, violento e robusto seria um flagelo tão funesto quanto um supersticioso sanguinário". (p. 103)

"Em qualquer lugar em que houver uma sociedade estabelecida, uma religião é  necessária; as leis reprimem os crimes conhecidos, enquanto a religião se encarrega dos crimes secretos". (p. 103)

"Não é preciso ter grande arte nem dispor de eloquência bem-elaborada para provar que os cristãos devem tolerar uns aos outros. Mas eu vou mais longe: eu lhes digo que é  necessário considerar todos os homens como nossos irmãos". (p. 109)






domingo, 24 de março de 2013

Verdade e Teorias da Verdade


Verdade e Teorias da Verdade
José Rogério de Pinho Andrade

Ü  Quando falamos de teoria da verdade tratamos de esclarecer cinco temas:
a)     O conceito de verdade;
b)    A relação de compreensão do uso comum do conceito de verdade com o uso do conceito na ciência e na filosofia;
c)     Os critérios da verdade;
d)    Os pressupostos do conceito de verdade;
e)     A relevância do problema da verdade.
Ü  “O conceito de verdade na experiência cotidiana é que um enunciado é verdadeiro, quando corresponde aos fatos.” (p.129)
Ü  O problema filosófico é saber se conhecemos a verdade.
Ü  Verdade e certeza não são sinônimos. Então o que significa a verdade?
Ü  Para Leibniz “as verdades de fato são proposições verdadeiras para todos em toda a parte e em todos os mundos.” Elas constituem as estruturas formais dentro das quais devem realizar-se. (p. 129)
Ü  Na filosofia de Sócrates, Platão e dos clássicos indagava-se pela essência da verdade.
Ü  A filosofia analítica restringe-se ao conceito de verdade e sua significação dentro da linguagem.
Ü  Quanto aos critérios de verdade eles existem? Onde se encontra a medida da verdade, no sujeito ou no  objeto?
Ü  No empirismo lógico do século XX defendeu-se, em princípio, a verificabilidade como o critério de verdade.
Ü  Na história da filosofia, citam-se como critérios de verdade, ora a evidência, ora a práxis, ora o consenso.
Ü  Outra questão é a das condições de verdade, como verdade e história: antiguidade tenta-se compreender a história como universal e absoluta, pois fundada em uma realidade ideal. Na modernidade a história entende que nada é eterno e imutável.

1.     Teoria da adequação ou correspondência

ü  “O critério de verdade dessa teoria é o de adequação ou conformidade do pensamento ou da proposição com a realidade.” (p. 130)
ü  “Verdade não diz apenas acordo interno do espírito consigo mesmo ou com as representações por ele elaboradas, mas conformidade do juízo com uma realidade transcendente à consciência. O fundamento da verdade do juízo é o ser, a existência real e efetiva.” (p.130)
ü  “Nessa teoria reconhece-se a preferência ao aspecto objetivo em relação ao subjetivo. Pressupõe-se que os objetos existam em si. Para conhecer, o sujeito deve submeter-se aos dados. O sujeito é determinado pelo objeto.” (p. 131)
ü  Esta teoria se fundamenta nas idéias de são Tomás de Aquino (1225 – 1274) para quem “a verdade de uma proposição é garantida pela correspondência entre o juízo do intelecto e a realidade intencionada.’ (p.131)
ü  Para ele, “as coisas e não o intelecto, são a medida da verdade.” (p.131)
ü  Platão já definia que “verdadeiro é o discurso que diz como as coisas são; falso é aquele que as diz como não são.” (p.131)
ü  “Segundo Aristóteles, a verdade está no pensamento ou na linguagem, não no ser ou na coisa (Met. VI, 4). A medida da verdade é o ser ou a coisa, não o pensamento ou o discurso.” (p.131)
ü  Alfred Tarski (1902 – 1983) designa esta teoria como “a concepção semântica da verdade” e vê “o critério da verdade numa relação entre a realidade, de um lado, e  o conhecimento, do outro.” (p.132)
ü  O homem chega ao conhecimento de duas maneiras:
a)     O conhecimento da realidade é intuitivo e, portanto, indizível e inexplicável;
b)    O conhecimento postulado consiste em formar uma proposição sobre a realidade.
ü  Para Habermas “a verdade pertence à dimensão do discurso e se verifica mediante argumentações sucedidas.” (p.133)

2.     Teoria da coerência.

ü  “A verdade de um juízo ou proposição consiste na coerência desse juízo ou proposição com o sistema em que se insere. (...) se uma proposição é verdadeira ou falsa, depende da coerência como se relaciona com outras proposições da mesma teoria.” (p.134)
ü  Pode ainda ser formulada de modo subjetivo quando estabelece que: “uma crença é verdadeira quando é coerente com minhas demais convicções.” (p.134)

3.     Teoria do Consenso

ü  Formulada por Jürgen Habermas baseia-se “na experiência de que o conhecimento de uma pessoa depende de outras pessoas que também conhecem.” (p.135)
ü  “A verdade não é uma simples propriedade de proposições. Com ela vinculamos determinada reivindicação  em relação a outros. (...) uma proposição é verdadeira quando um discurso sobre ela conduz a um consenso fundamentado.” (p.135)
ü  Tal teoria tem limitações: primeiro é que ela iguala verdade e validade; em segundo lugar é o critério do consenso discursivo. “A concordância intersubjetiva de todos os parceiros parece ser definida exclusivamente em proposições lógicas.” (p.135)
ü  “O consenso não pode ser o último critério de verdade ou de falsidade, sem recurso à experiência e á evidencia e sem referencia ao objeto.” (p. 136)
ü  Pode-se formular a teoria do consenso da seguinte forma: “uma crença é verdadeira quando a minha comunidade intelectual concorda que este é o caso.” (p.136)

4.     Teoria pragmática

ü  Para o pragmatismo, verdadeiro é aquilo que “é considerado útil, o que é bom para a nossa vida. Identifica-se verdade com utilidade, vantagem ou oportunidade.” (p. 136)
ü  “A idéia fundamental do pragmatismo é que a essência dos objetos e das pessoas se expressa em seu comportamento e em suas ações, sendo determinada a partir dos efeitos.” (p.136)
ü  Uma objeção se apresenta quando se pergunta: a) o que é bom, b) quais são os efeitos dessa ou daquela crença.

Ü  “Cada uma dessas teorias mostra-se insuficiente. Cada qual mostra aspectos importantes, mas parciais.” (p.137)
Ü  “A verdade constitui uma relação multidimensional entre proposição e realidade (teoria da adequação), com outras proposições (teoria da coerência) e a comunidade dos cognoscentes (teoria do consenso).” (p.138)

Fonte: ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento e Teoria da Ciência. São Paulo: Paulus, 2005.