sábado, 6 de setembro de 2008

Ética e Moral

Os conceitos de moral e ética, embora sejam diferentes, são freqüentemente usados como sinônimos. Moral vem do latim mos, moris, que significa “maneira de se comportar regulada pelo uso”, daí “costume”, e de moralis, morale, adjetivo referente ao que é “relativo aos costumes”. Ética vem do grego ethos, que tem o mesmo significado de “costume”.
A demarcação entre o campo da ética e o da moral pode ser compreendida a partir da situação dos problemas que cabem a cada uma. Os problemas morais referem-se aos problemas práticos que se apresentam nas relações efetivas entre os indivíduos ou quando se julgam certas decisões e ações dos mesmos. Dizendo respeito às relações entre os indivíduos, os problemas morais exigem o estabelecimento de normas de conduta para regular o comportamento dos mesmos. Tais normas são aceitas intimamente e reconhecidas pelos indivíduos como obrigatórias, obrigatoriedade que nasce da adesão dos indivíduos a elas, pois compreendem que devem agir de uma maneira ou de outra, mas sempre pautados na orientação das normas.
Este comportamento prático-moral existe deste as sociedades mais primitivas e a ele sucedem reflexões, isto é, além de agir moralmente os homens estabelecem reflexões sobre o esse comportamento prático-moral tomando-o como objeto de seu pensamento. Deste modo, verifica-se a passagem do plano prático da moral para o plano da teoria da moral, ou seja, da moral vivida e efetiva para a moral reflexa e pensada. Instituída tal passagem, estamos no campo dos problemas teórico-morais ou éticos.
Se os problemas prático-morais são situados na ação efetiva, na escolha do modo adequado de agir, os problemas ético-morais são caracterizados por sua generalidade. Eles se referem à abstração de caráter teórico sobre os fundamentos das ações práticas. Sua tarefa é investigar o conteúdo do que seja o “bom”, e não determinar como deve agir o indivíduo na situação concreta para que a sua ação possa ser considerada boa.
Assim, poderemos tentar estabelecer uma compreensão conceitual daquilo que se entende por mora e daquilo que se entende por ética.
A moral é o conjunto das regras de conduta admitidas em determinada época ou grupo de homens. Nesse sentido, o homem moral é aquele que age bem ou mal na medida em que acata ou transgride as regras do grupo. Isto é, em função da adequação ou não à norma o ato será considerado moral ou imoral.
A moral ocorre em dois planos: o normativo e o fatual e deste modo é que se compreende que o ato moral concreto, aquele efetivado pelos indivíduos e deve ter a sua essência procurada tanto num plano quanto no outro e daí a necessidade de se analisar o comportamento moral dos indivíduos a partir de seus atos concretos. Vejamos em que consiste o ato moral, qual a sua estrutura.
Um ato moral é sempre um ato sujeito à sanção dos demais, ou seja, é passível de aprovação ou de reprovação pelos demais de acordo com as normas morais estabelecidas. Assim nem todos os atos podem receber a qualificação moral, se a sua realização não pode ser evitada ou cujas conseqüências não se podiam prever, não pode ser qualificado como efetivamente um ato moral e não pode ser qualificado como moral ou imoral.
O ato moral implica em um motivo determinado. O quer dizer que o sujeito precisa agir de modo consciente de tal motivo, caso contrário não se pode qualificá-lo como um ato moral. Assim, vê-se que o motivo não é suficiente para a qualificação do ato.
Outro aspecto fundamental já apontado pelo anterior é que todo ato para ser qualificado como um ato moral precisa ser praticado de modo consciente e voluntário, isto é, se faz necessário a consciência do fim visado e a decisão de querer alcançá-lo, de realizá-lo.
Aspecto igualmente importante para a qualificação do ato moral é a consciência dos meios para realizar o fim escolhido e o seu emprego para obter o resultado pretendido.
Em suma, o ato moral é uma totalidade de diversos aspectos ou elementos: motivo, fins, meios, resultados, conseqüências objetivas.
Considerando a moral como o conjunto de regras que determinam o comportamento dos indivíduos em um grupo social, podemos perceber que ela é exterior e anterior ao indivíduo. Há, portanto, a moral constituída, que orienta seu comportamento por meio de normas. O indivíduo ao nascer encontra as normas morais já estabelecidas e, ao longo de sua convivências com os demais, vais assimilando como suas tais normas e se conduzindo em referência a elas.
Contudo, a moral não se reduz à herança dos valores recebidos pela tradição, pela cultura. Assim, o homem, ao mesmo tempo em que é herdeiro, é criador de cultura, e só terá vida autenticamente moral se, diante da moral constituída, for capaz de propor a moral constituinte. Isto é, na medida em que assimila as normas, pode e deve fazer uma reflexão sobre os seus fundamentos procurando fundamentá-las, revê-las e adequá-las ao novo momento em que se vive e se encontra. Aceita-as não por uma imposição cultural, mas por uma decisão consciente de concordar ou não com elas. Assim, evidencia-se que a moral tem um caráter pessoal, isto é, embora seja definida pela coletividade, a sua permanência depende de uma aceitação consciente dos indivíduos.
Compreende-se ainda, que o comportamento moral não se estabelece como absoluto para todos os tempos e lugares, ele varia espacial e temporalmente, conforme as exigências das condições nas quais os homens se organizam ao estabelecerem as formas efetivas e práticas do trabalho e convivência. Evidencia-se assim, o caráter histórico e social da moral.
O termo Ética vem do grego ethike, de ethikos significando aquilo que diz respeito aos costumes. Podemos entender o termo, ainda, como parte da filosofia prática que tem objetivo elaborar uma reflexão sobre os problemas fundamentais da moral, mas fundada num estudo metafísico do conjunto das regras de conduta consideradas como universalmente válidas. Está, assim, mais preocupada em detectar os princípios de uma vida conforme a sabedoria filosófica, em elaborar uma reflexão sobre as razões de se desejar a justiça, a harmonia e sobre os meios de alcançá-las.
É, portanto, a disciplina que procura responder as questões: como e por que julgamos que uma ação é moralmente errada ou correta? Que critérios devem orientar esse julgamento?
Em sua investigação, a ética apresenta as seguintes dimensões: ética normativa, metaética e ética aplicada. A dimensão normativa é aquela que recorre ou à determinação da ação ou regra correta, ou à determinação mais ampla de um caráter moral. A metaética, por sua vez, investiga a natureza dos princípios morais, indagando se são objetivos e absolutos os preceitos defendidos pelas diversas teorias da ética, ou se são de fato inteligíveis, ou, ainda, se podem ser verdadeiros esses princípios éticos num mundo sem Deus. A ética aplicada é a dimensão investigativa que diz respeito à aplicação de princípios extraídos da ética normativa para a revolução de problemas éticos cotidianos.
A ética normativa divide-se em Teleológicas e Deontológicas. As éticas teleológicas determinam o que é correto de acordo com certas finalidades (télos) que se pretende atingir. As éticas deontológicas procuram determinar o que é correto segundo as regras e normas em que se fundamenta a ação.
rogério Andrade

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