segunda-feira, 6 de julho de 2009

Estética como linguagem.

Com o termo Estética designa-se a ciência (filosófica) da arte e do Belo. O que caracteriza a Estética não é ser simplesmente o estudo do Belo, pois desde a antiguidade encontramos essa preocupação, mas em vinculá-lo à perspectiva do Belo como domínio da sensibilidade, relacionado com a percepção, com os sentimentos e com a imaginação.
O Belo não reside nas impressões visuais e auditivas, mas manifesta-se, principalmente por intermédio delas, a uma espécie de visão interior. É um deleite do espírito em função da qual as coisas nos agradam ou desagradam, e não se compara a nenhuma outra de suas funções. Não é captado intelectualmente, nem sua impressão se limita a corresponder à satisfação do desejo físico. Ele é um deleite que é plenamente satisfatório, que basta a si mesmo.
O julgamento de agrado ou desagrado se realiza por meio do juízo de gosto, assim, o Belo é espiritual, mas, no entanto, sua produção depende da sensibilidade.
Em grego, a palavra aisthesis significa o que é sensível ou o que se relaciona com a sensibilidade e é este termo que serve de fundamento para o estabelecimento do termo Estética. Atribui-se a Baumgarten a utilização do termo em 1750 num livro denominado “Aisthesis” para designar a perspectiva do Belo e seu reflexo nas artes.
Baumgarten definiu o Belo como “a perfeição do conhecimento sensível.” Ele ainda dividiu a Estética em duas partes: a teórica, que estuda as condições do conhecimento sensível que correspondem à beleza e a prática, aonde chega a esboçar uma espécie de lógica da imaginação, que contém os princípios necessários à formação do gosto e da capacidade artística.
Foi no pensamento de Immanuel Kant (1724 – 1804) em sua “Crítica do Juízo” que se estabeleceu a autonomia do Belo. Além da experiência cognitiva, que consiste no conhecimento intelectual propriamente dito e é inseparável dos conceitos e da experiência prática, que é relativa aos fins morais que buscamos atingir na vida, podemos ter a experiência estética, fundamentada na intuição ou no sentimento dos objetos que nos satisfazem, independentemente da natureza real que possuem.
Pela experiência estética a satisfação começa e termina com os objetos que a provocam. A atitude desenvolvida no espírito não visa ao conhecimento e nem à consecução de interesses práticos da vida. É uma atitude contemplativa de caráter desinteressado. São características do Belo enquanto objeto da experiência estética a aconceptualidade (não é determinada por conceitos), pelo desinteresse (é contemplativa) e pela autotutela (tem finalidade intrínseca).
Atualmente o substantivo estética designa qualquer análise, investigação ou especulação que tenha por objeto a Arte e o Belo. Em uma acepção ampla, a estética é tanto filosofia do Belo, como filosofia da Arte. No entanto, é preciso distinguir uma da outra.
A rigor, o domínio dos fenômenos estéticos não está definido pela arte, embora seja nela que encontra sua manifestação mais adequada. O domínio da Estética abrange o da Arte e é nele que se encontram os critérios gerais que permitem distinguir, dentre as obras de artes, as autênticas das inautênticas, as esteticamente boas e as esteticamente más.
De outro lado, a Arte excede os limites das avaliações estéticas. Como produto da cultura, a Arte mantém íntima conexão com o processo histórico e possui a sua própria história. Assim, ela vincula-se à religião, à moral e à sociedade como um todo, suscitando análises de valor axiológico, individual e coletivamente, seja por parte do artista que cria a obra de arte, seja por parte do espectador que a contempla e que sente os seus efeitos.
Os problemas fundamentais em torno dos quais podem ser agrupados os problemas discutidos sob o domínio da estética, a saber, 1 – a relação entre arte e natureza; 2 – a relação entre arte e homem e 3 – a função da arte.

1. Da relação entre arte e natureza, destacam-se três concepções:

a) Arte como imitação (a arte como imitação pretende subordinar a arte à natureza ou à realidade em geral);
b) Arte como criação (compõe-se das teses que consideram a arte como originalidade absoluta e os seus produtos não são referíveis à realidade natural e, como originalidade absoluta, a arte é parte da manifestação da atividade criadora de Deus);
c) Arte como construção (Quanto à terceira concepção de arte, isto é, a arte como construção, não se considera a atividade estética como receptividade ou criatividades puras, mas como um encontro entre a natureza e o homem ou como um produto complexo em que a obra do homem se acrescenta à da natureza sem destruí-la.)

2. Da relação entre arte e homem: se configura como a posição da arte no sistema de faculdades espirituais.

a) A que considera arte como conhecimento – imitação como desejo de conhecer;
b) A que a considera como atividade prática – objeto da poética;
c) A que a considera como sensibilidade – imitação da aparência sensível (mímesis) ou como perfeição da sensibilidade (sentimento de gosto).

3. Da função atribuída à arte e a questão da sensibilidade

a) Arte como educação – instrumental, tem a função de catarse e de aperfeiçoamento moral;
b) Arte como expressão - é final, apresentar como fim aquilo que para outras atividades vale como meio. Arte pela arte.

José Rogério de Pinho Andrade.

3 comentários:

  1. sou aluna de estética meu nome é solange estamos fazendo um trabalho sobre este texto, que aliás achei muito interessante gostaria de uma
    ajuda? qual seu argumento para este texto?
    aguardo uma resposta

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  2. O argumento em questão é a consideração da possibilidade de considerar a arte como forma de conhecer, não do mesmo modo que a filosofia, a ciência ou a religião. Por meio da arte pode-se ter acesso à compreensão da realidade, pois que a sensibilidade e um modo de percepção e pode proporcionar, mas não necessariamente, o entendimento do real.

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