quarta-feira, 1 de julho de 2009

O que é filosofia

A filosofia é algo que o homem faz, algo que o homem tem feito, mas é impossível dizer de antemão o que ela é. A impossibilidade de defini-la é que ela exige ser vivida anteriormente, isto é, não se pode defini-la antes de se fazê-la. De modo igual se dá com as demais formas de conhecimento.
Para se saber o que é filosofia é preciso antes de tudo ser filósofo. A filosofia, então, se mostra como uma vivência, como uma atitude. Então, definir filosofia antes de tê-la vivido, conduzirá a algo sem sentido e ininteligível.
Assim, falar dos sistemas filosóficos encontrados ao longo da história do pensamento filosófico é dizer o que alguns filósofos pensaram. No entanto, o que nos diz o conteúdo de tais sistemas? Não nos diz efetivamente nada. Mas se nos dispusermos a aprofundar os temas neles contidos por meio da leitura, do debate, da reflexão e do diálogo, viveremos a filosofia presente neles e ela passará a te sentido para nós.

O sentido da palavra “Filosofia”

Embora saibamos que é impossível de antemão definir o que é a filosofia, a palavra “filosofia” serve para designar algo. Em sua estrutura lingüística a palavra é formada pelos termos gregos “philos” e “sophia". Do primeiro termo recebe o sentido de dedicação, de amizade ou amor; do segundo termo recebe a designação de conhecimento verdadeiro, de sabedoria. Assim, a palavra em seu significado etimológico significa “amor à sabedoria”.
O amor que se entende filosófico é aquele que se traduz por uma dedicação incessante ao conhecimento verdadeiro, à verdade. O filósofo é aquele que assume a atitude de dedicação à verdade, aquele que a busca de modo constante e incessante. Uma busca do saber que se faz por esforço da reflexão e da razão.
Mas qual é o saber que o filósofo busca? Qual é o tipo de saber que se entende filosófico? Para responder a esta questão cabe a distinção que se faz entre as duas fundamentais ordens de saber: aquele que o adquirimos sem tê-lo buscado e aquele que o temos porque o procuramos, pois se não o fizermos não poderemos tê-lo.
É esta duplicidade no termo “saber” que fundamenta a distinção entre a simples opinião e o conhecimento racionalmente bem fundamentado. Esta distinção é definida por Platão como “dóxa” e “episteme”. Por dóxa entendia o filósofo aquele conhecimento superficial, aparente, obtido por meio dos sentidos é aquele conhecimento que o temos sem tê-lo procurado. Por episteme entendia o conhecimento correspondente à verdade, ao conhecimento essencial, aquele que adquirimos por tê-lo buscado metodicamente e com esforço. Assim, nos termos platônicos, a filosofia adquire o sentido de saber reflexivo, de saber adquirido mediante o empenho e dedicação racional, obtido dialeticamente.
Este mesmo sentido o termo filosofia receberá no pensamento aristotélico. Adquire ainda o sentido de conhecimento enciclopédico, isto é, como totalidade do conhecimento humano, todo o conjunto dos conhecimentos que o homem podia alcançar.
Na Idade Média o termo filosofia continua traduzindo o sentido desenvolvido na Grécia. No entanto, no medievo o saber humano se dividiu em dois, em teologia e em filosofia. Por teologia entendem-se os conhecimentos acerca de Deus e a filosofia é, então, o conjunto dos conhecimentos humanos acerca das coisas da natureza e até mesmo de Deus por via racional.
Embora a filosofia continue designando todo o conhecimento humano, ele não abrange o conhecimento de Deus. E assim o termo continua com seu significado por boa parte da Idade Moderna designando “a ciência total das coisas”.
De outro lado, já na Modernidade começa o campo da filosofia a partir-se. As ciências particulares começam a desprenderem-se da filosofia, não somente porque essas ciências vão se constituindo com seu objeto próprio, seus métodos próprios e seus progressos próprios, como também porque os cultivadores vão igualmente se especializando.
A partir do século XVIII, o saber enciclopédico característico da filosofia clássica não mais designa o termo “filosofia”. Esta passa a compreender os estudos e as disciplinas que não são abordados pelas ciências particulares. Assim a filosofia é aquilo que não é ciência ou religião.
Assim, podemos enumerar as seguintes disciplinas que compõem o que se compreende por filosofia. São elas: a ontologia ou a reflexão sobre os objetos em geral, sobre o ser, a lógica como o estudo das regras do bem pensar, a teoria do conhecimento ou epistemologia que é o estudo sobre o próprio conhecimento, a ética como reflexão da conduta virtuosa, a estética e a sua reflexão sobre o belo e o sentimento de beleza, e as diversas abordagens como a filosofia da religião, a filosofia política, a filosofia da história, a filosofia da arte, etc.
José Rogério de Pinho Andrade.

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