São Luís Ilha do Amor., um álbum no Flickr.
Mais uma atualização para o Blog.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Estética - Um breve resumo didático
ESTÉTICA
Estética é um ramo da filosofia que se ocupa
das questões tradicionalmente ligadas à capacidade humana de perceber o mundo,
tais como o belo, o feio, o gosto, a arte, os estilos, as tendências, a criação
e a interpretação artística. A estética adquiriu autonomia como área
filosófica, com Alexander Baumgarten, no século XVIII, quando ele publicou a
obra Aesthetica. A palavra estética vem do grego aisthetikós (ou aisthésis) e
pode ser traduzida como percepção, faculdade de sentir, compreensão pelos
sentidos etc.
Durante a Antiguidade, a estética era
conjugada com as demais áreas da filosofia. Hoje está claro que essa disciplina
ocupa-se da capacidade de julgar as emoções e os sentimentos estéticos, ou
seja, ocupa-se de nosso senso estético, como se desenvolve, se pode ou não ser
condicionado, se é inato, se é adquirido e tem de ser cultivado etc.
Em síntese, a estética reflete racionalmente
sobre a capacidade humana de julgar o belo o feio, assim como a gama de
sentimentos que nos invadem quando exercemos tal capacidade diante de algo. Por
isso, em nosso dia-a-dia, na linguagem coloquial, empregamos o termo estética
para fazer alusão à aparência das coisas. O estudo reflexivo da capacidade
humana de julgamento do belo e do feio e da percepção que temos do real é muito
importante, pois tudo o que consumimos, de alimentos a roupas, de bicicletas a
carros, de livros a aparelhos eletroeletrônicos, envolve a estética.
OBJETOS DE ESTUDO
O belo
O belo é o resultado de uma espécie de juízo
que exercemos sobre a realidade. Consideramos belo todo objeto ou pessoa que
nos suscita determinado prazer estético por meio de sua contemplação. Esse
sentimento estético desinteressado pode ser provocado pelas coisas da natureza
(pessoas, animais, paisagens etc) ou pelo fruto do engenho humano (arquitetura,
arte).
Pensemos um pouco sobre a beleza. Será que
existem padrões universais que apontam para modelos de beleza ou trata-se de
algo relativo, que está sujeito às variantes históricas e sociais? Visto o
problema de outra forma: A beleza é algo que podemos mensurar? Trata-se de algo
objetivo, ou seja, está nos objetos? Depende de elementos subjetivos? Se assim
for, o conceito de beleza pode mudar de pessoa para pessoa. As respostas a
essas perguntas variam no decorrer da história da filosofia.
O feio
O problema do feio está intimamente ligado às
questões relativas ao belo, ou melhor, está contido na problemática do belo.
Por conclusão lógica, derivada do próprio conceito de belo, o feio seria o que
nos provoca sentimento não agradável mediante sua contemplação. A contemplação
do feio não é algo gratuito, algo aprazível àquele que o contempla, ao
contrário, causa estranheza a este, que faz de tudo para abreviar o contato com
o que foi julgado feio. Aqui são pertinentes as mesmas questões propostas em
relação ao belo, relativas à subjetividade da feiúra.
O gosto
É uma faculdade autônoma do sentimento cuja
atribuição básica é o exercício contínuo da atividade estética. Pode-se,
portanto, dizer que através do gosto exercitamos o juízo estético. É justamente
o gosto que nos predispõe a julgar os objetos do sentimento, mediante a
capacidade que eles têm de nos causar satisfação.
É muito importante salientar que a
problemática relativa ao gosto não pode, simplesmente, ser reduzida a uma opção
arbitrária e imperativa de nossa subjetividade, dado que pressupõe a integração
do conjunto de estruturas subjetivas que operam sobre dados objetivos. Se
fecharmos a questão nessa perspectiva arbitrária, o gosto passa a ter caráter
irrevogável, monolítico e estático. Assim não há margem para a evolução, para a
aprendizagem criativa, para a educação ou mesmo reeducação da sensibilidade, o
que gera a estagnação.
Para o aprimoramento, para a educação ou
reeducação do gosto frente à potencialidade estética da realidade que nos
cerca, nossas faculdades subjetivas precisam estar abertas, prontas para
acolher e interessadas mais em conhecer do que em preferir. Assim evitamos os
descartes e as adesões a priori da
pluralidade do real, permitir que ele fale, estabelecendo, assim, um diálogo e
não um monólogo.
Portanto, o gosto é a capacidade de emitir
julgamentos estéticos sim, mas sem preconceitos ou posições tendenciosas. O
contato direto com a realidade e com as obras deve formar nosso gosto, modificá-lo,
educá-lo, destruí-lo, reconstruí-lo etc. Caso nos limitemos a nossos portos
seguros, ou seja, àquilo que conhecemos e já sabemos que gostamos dele, não
crescemos.
Arte
É uma das formas mais poderosas de expressão
humana. Ela é capaz de materializar crenças, convicções, ideologias. É capaz de
formar consciência e opinião, mas também é capaz de obscurecer as mentes e
anular as opiniões. É capaz de libertar, emancipar, mas pode servir como
instrumento de opressão e alienação. O maravilhoso e complexo universo
artístico é agora objeto de nossa reflexão.
A arte é uma possibilidade de conhecimento do
mundo, pois o conhecimento deste não se limita às ciências, à filosofia e ao
mito. A arte não segue o itinerário das outras modalidades de conhecimento,
trata-se de um conhecimento intuitivo do real em que estamos inseridos. Toda a
pluralidade do real pode ser objeto da arte.
Funções da arte
Função Mimética (relativo a mímese,
reprodução, cópia fiel etc.) – diz-se que arte que realiza sua função mimética
busca reproduzir de maneira fiel a realidade, quando imita a vida e a natureza.
A arte, como mímese, é testemunha fiel da complexidade do real. No entanto,
mesmo para reproduzir é preciso ler, desconfiar, interpretar. Assim, a arte em
sua função mimética desempenha papel importante na compreensão do mundo em que
estamos inseridos. Tal posição sustentou-se, aproximadamente, do século V a. C.
ao XIX d. C., até o aparecimento da fotografia, o que levou a uma revisão e
reestruturação do papel da arte, especialmente da pintura.
Função criadora da arte
A obra de arte abre horizontes novos e
inusitados. Por ela podemos não somente vislumbrar como a realidade é, mas como
poderia ser. Em outras palavras, junto e por meio dela, a realidade revela-se a
nossos olhos como algo sempre novo, como se jamais a tivéssemos experienciado.
Trata-se de uma espécie de transfiguração, quase uma revelação, do existente
numa outra realidade, no mundo da obra, que, muitas vezes, tem a capacidade de
ir além de onde o artista quis chegar, e revela coisas que independem da
vontade e intenção de quem produziu a obra. Trata-se, portanto, de outro
paradigma de realidade, em que a própria obra se constitui em real.
Função utilitária
Essa função diz respeito à tentativa de
utilização da arte para alcance de fins não artísticos. Aqui a produção
artística é avaliada e medida a partir do alcance dos fins exteriores a que se
propõe. São muitos os fins não artísticos que fazem da arte um simples meio
para atingi-los. Os fins podem ser religiosos, políticos econômicos etc. desta
perspectiva, em nenhum momento, nem em sua avaliação (que leva em consideração
aspectos morais e os fins almejados), a arte é encarada de maneira estética.
CONCEPÇÕES ESTÉTICAS
PLATÃO: uma visão negativa da arte
A famosa teoria platônica das ideias, que
divide o universo em mundo sensível (material e inferior) e o mundo inteligível
(espiritual, imaterial e superior), é a chave de compreensão da teoria estética
de Platão. Segundo essa teoria, nossa grande missão é, por meio de várias
vidas, libertarmo-nos das amarras do mundo sensível, pois ele não passa de uma
cópia do mundo das ideias. Como faríamos isso? Ora, teríamos de buscar o
conhecimento verdadeiro (episteme), o
conhecimento do mundo ideal. O alcance do conhecimento verdadeiro aconteceria
pela reminiscência (lembrança) do que nossas almas, outrora presentes no mundo
ideal, presenciaram nele. Não podemos, portanto, iludir-nos com o mundo das
cópias, das sombras e das aparências, isto é, com o mundo sensível. Para
Platão, a arte era essencialmente mímese (mímesis),
então, reproduzia o mundo sensível. Reflitamos: se o mundo sensível já é uma
cópia do mundo ideal, então a arte é uma cópia da cópia.
Dessa maneira, a arte em nada nos ajuda a
alcançar o conhecimento verdadeiro, ao contrário, afasta-nos dele, uma vez que
nos distancia do mundo ideal. Do ponto de vista gnosiológico (conhecimento), a
arte é infinitamente inferior à ciência, e deve ser evitada.
Quando Platão fala que a arte está voltada
para as partes irracionais da alma (concupiscível e irascível), ele cria
resistência à arte também com relação à questão da moral, pois, atuando
diretamente sobre nossos sentidos, a arte acaba nos cegando, faz com que
percamos a noção do bem e do mal, do certo e do errado.
Com relação à música, Platão tem visão
extremamente otimista, é muito importante salientar que ele não considera a
música exatamente uma arte. Na trilha de Pitágoras, o filósofo ateniense julga que
a música é uma espécie de harmonia divina. Além disso, Platão coloca a música
em quarto lugar entre as ciências propedêuticas, atrás da aritmética, geometria
plana e sólida e astronomia.
ARISTÓTELES: uma visão positiva da arte
Também na estética o discípulo gradualmente
se distancia do mestre. Mesmo compartilhando com Platão o pensamento de que a
arte é essencialmente mímese, há entre Aristóteles e Platão diferenças
marcantes. Enquanto para Platão a mímese é alienadora, mentirosa e nada tem a
acrescentar, para Aristóteles, a mímese é um momento único de intercâmbio, em
que o artista tem a chance e o poder de acrescentar algo ao real. Por isso,
nesse novo contexto, a mímese não é pura imitação, mas criação que envolve
iniciativa e criatividade. Mediante sua capacidade criativa, o artista pode
transpor os limites da natureza.
No que diz respeito à tragédia, ela é a
mímese de uma ação, de um acontecimento, e não das paixões. É um processo ativo
de seleção de partes para apresentação. Não é passivo, cópia automática, como
supunha Platão. Aristóteles traz de volta a necessidade da habilidade para
fazer poesia: o poeta é um compositor-criador de tramas, e não de versos.
Embora a poesia não seja mímese do universal, Aristóteles sustenta que, mesmo
que os objetos da mímese não sejam universais, eles podem resultar em um
processo que apresente universais, porque a tragédia não trata de assuntos
banais.
ESTÉTICA MEDIEVAL
Durante a Idade Média, as artes não eram
muito valorizadas, a não ser como instrumento da catequização e de culto. A
influência da Igreja Católica era enorme. A busca pelo belo era identificada
pelo cristianismo predominantemente como a busca do espírito humano por Deus.
Dessa forma, o cristianismo contribuiu para edificar e difundir uma nova concepção
da beleza, cujo fundamento era a identificação de Deus com a beleza, o bem e a
verdade.
Nesse contexto, apesar de, como sabemos, ser
um representante da Antiguidade tardia, Santo Agostinho concebeu a beleza como
um todo harmonioso, isto é, comunidade, número, igualdade, proporção e ordem,
reflexo da perfeição e beleza do Todo-poderoso e de sua obra. Assim, Deus, de
onde tudo emana e pelo qual todas as coisas adquirem sentido, é a fonte
inesgotável de toda beleza e perfeição.
São Tomás de Aquino identificou a beleza com
o bem. Como em Santo Agostinho, a beleza perfeita identifica-se com Deus. As
coisas belas têm três características ou condições fundamentais, e as coisas
feias são seus opostos.
Vejamos:
Integridade ou perfeição (o inacabado ou fragmentário é feio); A proporção ou
harmonia (a assimetria e a desarmonia são feias); A claridade ou luminosidade
(a escuridão é feia).
CONCEPÇÃO EMPIRISTA E IDEALISTA
Os filósofos empiristas, como David Hume (século XVIII), relativizam a
beleza, reduzindo-a ao gosto de cada um. Aquilo que depende do gosto e da
opinião pessoal não pode ser discutido racionalmente, donde o ditado: “Gosto não se discute”. O belo, nessa
perspectiva, não está mais no objeto, mas nas condições de recepção do sujeito.
Hegel (século
XIX) foi um filósofo que trabalhou a questão da beleza numa perspectiva
histórica. Para ele, o relativo consenso acerca de quais são as coisas belas
mostra apenas que o entendimento do que é belo depende do momento histórico e
do desenvolvimento cultural. (...) Por isso, em Hegel, a beleza artística não
diz respeito apenas à sensação de prazer que determinada obra possa
proporcionar, mas à capacidade que ela tem de sintetizar um dado conteúdo
cultural de um momento histórico. Em outras palavras, a arte não é apenas
fruição, mas tem como função mostrar, de modo sensível, a evolução espiritual
dos homens ao longo da história.
KANT: o juízo estético, o belo e sublime
Todos os seres humanos emitem juízos
estéticos! Essa é a construção que dá início ao itinerário percorrido por Kant
para resolver o problema da objetividade ou subjetividade da estética. É
evidente, em Kant, a preferência pela segunda opção. “Aquilo que é puramente subjetivo na representação de um objeto, isto
é, o que constitui a sua relação ao sujeito, e não ao objeto, é a sua qualidade
estética”.
Diante
da existência inconteste dos juízos estéticos, o filósofo prussiano levanta
duas questões de capital importância: O que é o belo manifestado no juízo
estético? Qual é a estrutura, o fundamento que possibilita o juízo estético?
Em resposta à primeira questão, Kant atesta
que o belo não existe de maneira objetiva nas coisas, mas é fruto da relação
entre sujeito e objeto. Respondendo a segunda questão, Kant diz que o juízo
estético é fruto do livre jogo das estruturas cognitivas e da imaginação (o que
confere ao juízo status de universal), capaz de produzir um prazer
desinteressado, de nos direcionar para uma “finalidade
sem fim e de nos fazer compreender a escrita cifrada por meio da qual a
natureza fala conosco em suas belas formas”.
Segundo Kant, o belo e o sublime têm em comum
a característica de agradar por si mesmos, de maneira desinteressada, universal
e necessária, uma vez que são por excelência subjetivos. A diferença está no
fato de que o belo diz respeito à particularidade do objeto em sua relação com
o sujeito, e essa condição torna-o realmente limitado, ao passo que o sublime
também diz respeito ao supra-sensível, que é informe e que, como tal, implica a
representação do ilimitado.
Dessa forma, o objeto não é sublime, mas
desperta o sentimento do sublime, ou seja, somos induzidos a projetar no objeto
a ideia de sublime que ele fez despertar em nós. O sublime não é de forma
alguma objetivo, diz respeito ao sujeito. É pela experiência do sublime que
tomamos consciência de que podemos ultrapassar as barreiras sensoriais. “O sublime é pois essencialmente espírito; o
sentimento do sublime nos enleva deste mundo e nos abre, por assim dizer, as
portas do supra-sensível” (Pascal).
Texto extraído de:
GARCIA, José Roberto & VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos.
Florianópolis: Sophos, 2007.
Texto
elaborado pela professora de filosofia do Colégio Batista Daniel de La Touche
Rute Amorim.
Marcadores:
Aristóteles,
Arte,
Beleza,
Belo,
Estética,
Filosofia,
Filosofia Medieval,
Filosofia Moderna,
Gosto,
Kant,
Platão,
Sublime
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
O que é Política? - Hannah Arendt
O que é Política? – Hannah Arendt
José Rogério de Pinho Andrade
O texto inconcluso de
Hannah Arendt “O que é Política?” é
aqui tomado como uma referência introdutória para o assunto. Seu caráter
reflexivo nos aponta caminhos para entendimento da coisa política e do seu
trato em nossos dias. Direta em sua abordagem do que é a coisa política e qual
o seu sentido, ou se faz algum sentido? A destacar algumas idéias fundamentais.
A primeira delas é a compreensão de que a política se dá entre
os homens, sendo, deste modo, produto e produzida pelos homens em suas diversas
inter-relações. Para a autora, não há “nenhuma substância política original”
(p.23). Ela se apresenta como relação do homem para com os outros, iguais ou
não, e do homem com o seu espaço. Dá-se, portanto, no plano da História.
Precipuamente “a política organiza, de antemão, as diversidades absolutas de
acordo com uma igualdade relativa e em contrapartida às diferenças relativas.”
(p.24)
Outra idéia destacada do
texto, diz respeito á consideração quanto á relação dos preconceitos e dos
juízos na política. Ela parte da existência dos preconceitos como sinal de algo
já político, isto é, para ela os preconceitos indicam a presença entre nós de
algo político, embora, “confundem aquilo que seria o fim da política com a política
em si.” (p. 25) No entanto, é na condição do juízo que a autora vislumbra a
política propriamente dita, pois, são eles que nos auxiliam no esclarecimento e
dispersão dos preconceitos e “o pensamento político baseia-se, em essência, na
capacidade de formação de opinião.” (p. 30) É por meio dos juízos que se
possibilita a manifestação da coisa política como reflexão dos próprios atos
humanos.
Um terceiro ponto destacado
diz respeito ao sentido que possa possuir a política. Esse sentido para Hannah
Arendt é a liberdade.
A liberdade é o espaço
próprio onde se pode esperar a realização de milagres, pois “os homens enquanto
puderem agir, estão em condições de fazer o improvável e o incalculável e,
saibam eles ou não, estão sempre fazendo.” (p. 44) Então, a liberdade é a
condição de ameaça e de salvação do homem. No primeiro caso, devido à ameaça de
destruição que o espaço moderno da política consolidou; de salvação porque é
neste mesmo espaço que se vislumbra a possibilidade de não se por a termo os
propósitos e se tentar estabelecer uma superação, também política, dos
conflitos, pois, “a tarefa e objetivo da política é a garantia da vida no
sentido mais amplo.” (p. 48)
Tão ou mais do que a
igualdade, é o espaço da política próprio para a promoção da liberdade. Segundo
a autora, o que é mais assustador nas formas do Estado Totalitário, é a
“concepção segundo a qual a liberdade dos homens precisa ser sacrificada para o
desenvolvimento histórico, cujo processo só pode ser impedido pelo homem quando
este age e se move em liberdade.” (p.51) É também no espaço de liberdade que se
dá a condição de igualdade, pois é o espaço político comum a todos nós.
Conforme o pensamento da autora, a liberdade do falar um com o outro “só é
possível no trato com os outros” (p. 59) e “só na liberdade de falar um com o
outro nasce o mundo sobre o qual se fala, em sua objetividade visível de todos
os lados.” (p. 60)
A liberdade não se
confunde com a política, mas é o seu pressuposto, sendo esta ultima um meio e a
primeira um objetivo. Deste modo, a pergunta sobre o sentido da política nos
dias de hoje diz respeito à conveniência ou inconveniência dos meios públicos
da força, do exercício político do Estado, isto é, a força que devia proteger o
homem hoje o ameaça de extermínio, pois “onde a força, que é um fenômeno do
individuo ou da minoria, liga-se ao poder, que só é possível entre muitos,
surge um aumento monstruoso do potencial da força – por sua vez, provocado pelo
poder de um espaço organizado, ma que depois, como todo potencial de força,
aumenta e se desenvolve às custas do poder.” (p. 79)
ARENDT, Hannah. O que é Política? 3ª Ed. Trad. Reinaldo Guarany. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. p. 21 a 85.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Escola Militar x Escola Civil Pública
As escolas militares não são substitutas da qualidade de ensino das escolas públicas civis, elas são modelos na medida em que possuem uma gestão diferenciada, um orçamento diferenciado com mais e melhores recursos, tanto humanos como financeiros. Por exemplo: na escola militar existe gestor geral, o gestor financeiro, o gestor pedagógico e seus auxiliares, na escola pública comum, via de regra, existe apenas o gestor geral para exercer todas as funções sozinho.
Os recursos financeiros também são diferenciados, pois mesmo que seja um valor quase que irrisório, nas escolas militares há uma contribuição mensal dos alunos, enquanto nas escolas públicas civis, muito mal se sustentam com os repasses públicos que, quase sempre, chegam atrasados e em valores insuficientes.
Outro diferencial está na seleção para ingresso na escola militar. O processo de seleção estabelece um padrão médio e mínimo de habilidades e de conteúdos já aprendidos, enquanto na escola pública civil, na maioria das vezes, o quadro é de insuficiência geral neste quesito.
Quanto á questão da disciplina, um dos diferenciais esta na aceitação de certas regras por parte da sociedade. Quando se faz mesmo na escola civil, a correspondência não é a mesma. Por exemplo: na escola militar, mesmo tendo quem faça a limpeza das salas de aula, o aluno é responsável pela manutenção dela, os próprios alunos fazem a faxina. O mesmo se acontecer na escola civil, é capaz da sociedade civil, da família e até do poder público, se manifestarem contrários.
Por fim, é preciso saber que as escolas militares, na prática, se aproximam muito mais da realidade das escolas particulares do que da realidade das escolas públicas. O que é preciso fazer, não é transformar as escolas civis em militares, mas em escolas de qualidade com recursos humanos e financeiros, com investimentos e participação social.
José Rogério de Pinho Andrade
Assinar:
Postagens (Atom)