sexta-feira, 12 de março de 2010

Indicação de Leitura.

Os Pré-Socráticos: A invenção da razão

Onde e quando, efetivamente, começou o que chamamos Ciência? Algumas das respostas possíveis a essa pergunta essencial estão em Os Pré-Socráticos - A invenção da razão, novo livro da Coleção IMORTAIS DA CIÊNCIA, da Odysseus Editora. Nele o leitor brasileiro poderá recuar até à Grécia Clássica e testemunhar de perto o nascimento da mente investigativa do pensamento Ocidental, a mesma que, séculos depois, se tornaria a mãe da Ciência Moderna.
O volume, escrito de forma lúcida e cativante pelo professor Auterives Maciel Junior, reúne as principais idéias daqueles pensadores da Civilização Grega que, entre 600 e 400 a.C., tornaram-se conhecidos como "Pré-Socráticos", já que, em sua maioria, viveram antes do grande filósofo Sócrates. Focalizando os conceitos mais "científicos" de suas especulações, o autor mostra por que os pré-socráticos podem, justificadamente, ser considerados Imortais da Ciência.
É verdade que a Ciência, num sentido moderno, em que modelos matemáticos expressam resultados de experiências realizadas em laboratórios ou observações de fenômenos naturais, só começa com Galileu, na Itália, e Kepler, na Alemanha, no século XVII.
Mas a Ciência como tentativa de formular racionalmente a Natureza, sem preocupação direta com a experimentação, começou muito antes. Foi por volta de 600 a.C. que surgiram as primeiras tentativas de explicar os mistérios da Natureza por meio da razão e não do mito. Seus autores inauguraram a tradição filosófica ocidental, da qual a Ciência é a legítima herdeira.
Apesar de manterem, em seus escritos, traços de mitos e de crenças em oráculos, os pré-socráticos expressavam essencialmente a mesma convicção: de que a razão podia solucionar as dúvidas e problemas dos homens. E mais: que, ao fazê-lo, ela dava autonomia às pessoas, libertando-as de superstições e medos irracionais. A razão, ou capacidade do indivíduo de refletir por si próprio, era apresentada, pela primeira vez, como instrumento de libertação. Uma idéia, como se vê, totalmente atual.
As idéias dos principais filósofos pré-socráticos surgem, no livro, como tributárias desse pensamento-mestre. O primeiro deles, Tales, nascido em Mileto (cidade da Ásia Menor, na atual costa turca), teve a coragem de fazer uma pergunta que ainda inspira a pesquisa científica: qual a essência material de todas as coisas? Ou melhor, de que tudo é feito?
Na pergunta de Tales de Mileto há dois méritos. O primeiro, de ser dirigida à razão, e não aos deuses. O segundo, de a tentativa de resposta ter levado Tales à hipótese da existência de uma substância "fundamental", que seria a essência material de tudo o que existe. Tales identificou essa substância essencial do cosmos com a água, por sua grande capacidade de transformação e por nutrir e sustentar a vida e os ciclos naturais. Sobre a real natureza dessa "essência" girou o grande debate dos pré-socráticos.
Tales e seus discípulos faziam parte da chamada Escola Jônica. Sua idéia básica era que a Natureza está sempre em transformação, em fluxo. Já a Escola Eleática professava o exato oposto: o que é fundamental não muda. As transformações seriam ilusões causadas por nossa imperfeita percepção do real. O livro evidencia que os Pré-Socráticos também nos legaram um exemplo de debate racional e democrático, com troca respeitosa de idéias em prol do saber: outro conceito atual, presente nas publicações científicas.
Naturalmente o mais conhecido dos pré-socráticos, Pitágoras, famoso pelo Teorema sobre ângulos retos, também surge com destaque no texto. Sua Escola (no sentido de "linha filosófica") propunha que a essência do Universo está nos números e em suas relações. Os pitagóricos criaram uma espécie de misticismo racional, no qual a Matemática era um instrumento de iluminação espiritual. Sua meta era compreender as relações matemáticas que regem a harmonia do cosmos. Uma meta que, em termos modernos, é absolutamente científica.
O livro debruça-se, por fim, sobre os atomistas, cujo nome recorda a hipótese que formularam: a de que tudo seria composto por elementos indivisíveis (do grego, "átomo", ou seja, "que não pode ser cortado"). Assim, uma extraordinária intuição intelectual levou estes protocientistas a formularem o conceito de átomo mais de dois mil anos antes da sua efetiva descoberta no mundo moderno. E embora a Ciência Moderna tenha dividido os "indivisíveis" átomos - em prótons, nêutrons e elétrons - ela continua, como aqueles pré-socráticos, a buscar os tijolos fundamentais da matéria, para responder à pergunta primeira de Tales: "do que tudo é feito?".
Em Os Pré-Socráticos - A invenção da razão, o leitor verá que, desde os primórdios do pensamento ocidental, a questão básica da Ciência tem sido uma só: a procura por explicações racionais como a via humana, por excelência, de decifração dos mistérios da Natureza e da Vida.

fonte: http://www.odysseus.com.br/sup_release_socrates.htm